⛏ Dados públicos ANM · atualizado periodicamente

Barragens de Mineração no Brasil: risco, exposição e memória dos desastres

Painel construído a partir do cadastro público de barragens de mineração da Agência Nacional de Mineração (ANM), cruzado com dados populacionais do IBGE e o histórico dos principais rompimentos do país.

Fonte primária: painel público da ANM · Boletins oficiais em PDF: gov.br/anm

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Barragens cadastradas
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Categoria de Risco Alta
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Dano Potencial Alto
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Em nível de emergência
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Pessoas residentes em municípios com barragem

Mapa das barragens

Cada ponto é uma barragem de mineração cadastrada na ANM, colorido pela combinação entre Categoria de Risco (CRI) e Dano Potencial Associado (DPA) — a matriz oficial de classificação de segurança de barragens. As manchas de inundação (área que seria atingida em caso de rompimento) estão disponíveis para as barragens mais críticas.

Legenda (CRI × DPA)
Crítico (Alta / Alta)
Muito alto
Alto
Médio
Baixo

Carregando barragens…

Panorama nacional

Distribuição das barragens cadastradas por estado, classificação de risco, situação operacional e método construtivo.

Por Estado (top 10)

Categoria de Risco (CRI)

Dano Potencial Associado (DPA)

Situação Operacional

Método Construtivo

Nível de Emergência

MunicípioUFNº de barragensPopulação estimada (2025)Pessoas na área de inundação (estimativa)
1986

Rompimento da Barragem Fernandinho — Itabirito/MG

Barragem de rejeitos de minério de ferro operada pela Itaminas Comércio de Minérios. Um dos primeiros grandes acidentes registrados com barragens de mineração no Brasil, com contaminação de cursos d'água na região.

7 mortes Volume não consolidado entre fontes
2001

Rompimento da Barragem dos Macacos — Nova Lima/MG

Barragem de rejeitos operada pela Mineração Rio Verde. O material atingiu o Córrego Taquaras, afluente do Rio das Velhas, destruiu área de Mata Atlântica e chegou a comprometer parte do abastecimento de água da Grande BH — caso que ajudou a impulsionar a regulação de segurança de barragens no país.

5 mortes ~430.000 m² de área atingida 6,4 km do Córrego Taquaras assoreados
2007

Rompimento da Barragem Fazenda São Francisco — Miraí/MG

Barragem de rejeitos de bauxita operada pela Mineração Rio Pomba Cataguases. A lama atingiu os rios Muriaé e Paraíba do Sul, interrompendo o abastecimento de água em municípios de MG e RJ. A mesma barragem já havia tido um rompimento menor em 2006.

Sem mortes registradas ~2 milhões de m³ de rejeitos ~150 mil pessoas sem água (MG/RJ) 765 desalojados
2014

Rompimento da Barragem B1 (Mina Retiro do Sapecado) — Itabirito/MG

Barragem de rejeitos de minério de ferro operada pela Herculano Mineração. A ruptura da barragem B1 provocou um efeito em cadeia sobre as barragens B2 e B3. Sócios da empresa e um engenheiro foram indiciados por homicídio doloso.

3 mortes ~300.000 m³ de rejeitos
2015

Rompimento da Barragem de Fundão — Mariana/MG

Barragem de rejeitos de minério de ferro operada pela Samarco (Vale/BHP Billiton). O rompimento liberou a lama de rejeitos que percorreu o Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, sendo considerado o maior desastre ambiental do país até então.

19 mortes ~34 milhões de m³ de rejeitos ~660 km percorridos (Rio Doce) Método: alteamento a montante
2019

Rompimento da Barragem I — Brumadinho/MG

Barragem de rejeitos de minério de ferro operada pela Vale, já inativa no momento do rompimento. A onda de rejeitos atingiu o refeitório da mina e comunidades próximas em segundos, sem tempo de alerta eficaz.

270 mortes ~9,7 milhões de m³ de rejeitos Impacto em segundos Método: alteamento a montante
Barragem Minerador UF Município CRI DPA Situação

1 Fontes de dados

Os boletins oficiais da ANM (gov.br/anm/.../boletim-de-barragens-de-mineracao) são publicados apenas em PDF mensal/trimestral, sem estrutura tabular — inviável como fonte primária de um painel de dados. Em vez disso, este painel usa o serviço geoespacial público que alimenta o próprio painel oficial da ANM (ArcGIS FeatureServer, acesso público, sem necessidade de login), complementado por três fontes do IBGE: a API de localidades, a estimativa de população por município, e a malha de setores censitários do Censo 2022 (usada no item 5).

2 Classificação de severidade (CRI × DPA)

A ANM classifica cada barragem em duas dimensões independentes: Categoria de Risco (CRI) — condição técnica/estrutural — e Dano Potencial Associado (DPA) — impacto esperado em caso de rompimento, considerando população e ambiente no entorno. Este painel combina as duas em um único nível de severidade (cor do ponto no mapa e da legenda) por uma matriz simples:

  • Alta CRI + Alta DPA → Crítico
  • Uma das duas Alta, a outra Média → Muito alto
  • Uma Alta e a outra Baixa, ou ambas Média → Alto
  • Média + Baixa → Médio
  • Baixa + Baixa → Baixo

Essa combinação é uma simplificação visual nossa — a classificação oficial e vinculante de cada barragem são os campos CRI e DPA separados, exibidos em cada popup do mapa e na tabela.

3 Manchas de inundação: por que só 73 barragens

Os polígonos de mancha de inundação de todas as ~900 barragens somam mais de 40 MB e derrubam o servidor da ANM (erro 500) quando pedidos por completo. Por isso o painel baixa a mancha apenas das barragens mais críticas — Categoria de Risco e Dano Potencial ambos "Alta", ou com nível de emergência ativo (73 barragens) — com a geometria simplificada (maxAllowableOffset) o suficiente para leitura visual, não para análise técnica de engenharia.

4 População do município (proxy de exposição)

O número de habitantes exibido por município na coluna "População estimada" é a população total do município (estimativa IBGE mais recente), não uma contagem de pessoas dentro da mancha de inundação. Serve como indicador aproximado — quanto maior a população do município, maior a chance de haver gente vivendo perto da barragem.

5 Pessoas na área de inundação (estimativa)

Essa coluna já é uma estimativa mais específica: para cada barragem com mancha de inundação, o painel cruza o polígono da mancha com a malha de setores censitários do Censo 2022 (IBGE) — que já vem com população por setor — e soma a população de cada setor proporcionalmente à área que ele tem dentro da mancha (interpolação de área, que pressupõe densidade populacional uniforme dentro do setor). Ainda assim é uma estimativa, não uma contagem real de moradores — e herda a simplificação geométrica da mancha descrita no item 3. Municípios cujas barragens não têm mancha de inundação (a maioria — só as 73 mais críticas têm) aparecem como "Não identificado".

6 Casos históricos

Os seis casos na linha do tempo (1986–2019) foram curados manualmente a partir de registros públicos — não vêm de nenhuma API. Servem como referência de contexto, não como dado vivo do sistema. Para os acidentes mais antigos (sobretudo 1986), as fontes disponíveis divergem em alguns números; quando isso ocorre, o painel sinaliza a divergência em vez de escolher um valor arbitrariamente.

7 Atualização dos dados

Os arquivos em data/ são um retrato (snapshot) do momento em que fetch_data.py foi executado — não uma consulta ao vivo. Isso porque os serviços da ANM e do IBGE não liberam CORS para navegador. A data exata da última atualização aparece no rodapé desta página.

Isenção de responsabilidade: este é um painel independente de visualização de dados públicos, sem qualquer vínculo oficial com a ANM, o IBGE ou o governo federal. Classificações de risco, nomes de barragens e situação operacional podem ter mudado desde a última atualização — para decisões técnicas, de segurança ou jurídicas, consulte sempre a fonte oficial.

KLEIN, Mariana. Barragens de Mineração no Brasil: Classificação de Risco, Manchas de Inundação e Exposição Populacional. Harvard Dataverse, 2026. DOI: 10.7910/DVN/HALBJD. Disponível em: https://doi.org/10.7910/DVN/HALBJD.